Storias de Pikenos

Storias de Pikenos Um Espaço de Cultura para todos, grandes, pequenos, novos e velhos. Aqui publicaremos algumas das s

Iniciamos a publicação semanal de pequenas histórias para crianças e adolescentes, por vezes acompanhados de textos dirigidos a um público adulto, convidando à reflexão, e também ao sonho, que tão necessários se tornam numa sociedade em que o materialismo tem crescido desmedidamente, a ponto de abafar os valores mais genuínos do ser humano: o respeito pelos outros, a ternura, a delicadeza, a compa

ixão pelos que sofrem, a generosidade. Esperamos que o projecto, “STORIAS AOS PIKENOS”, continue a encontrar leitores assíduos entre aqueles a quem se dirige, e possa proporcionar agradáveis momentos de partilha entre pais e filhos.

17/11/2025
04/06/2025

– Adeus – disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
– Adeus – repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
– Eu fui uma tola – disse finalmente.
– Peço-te perdão. Trate de ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, completamente sem jeito, com a redoma nas mãos. Não conseguia compreender aquela delicadeza.
– É claro que eu te amo – disse-lhe a flor. – Foi minha culpa não perceberes isso. Mas não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Tenta ser feliz… Larga essa redoma, não preciso mais dela.
– Mas o vento…
– Não estou tão resfriada assim… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
– Mas os bichos…
– É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem irá visitar-me? Tu estarás longe… Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrou ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
– Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa…

Antoine de Saint-Exupéry

18/12/2024

Vem de longe esta estrela
que os Reis Magos orienta
no caminho para Belém,
na sua passada lenta.

Nunca outra brilhou tanto
no imenso firmamento,
pois tem um recado a dar
não bastando dá-lo ao vento.

Os Reis Magos, que são três,
seguem-na com confiança,
já que ela traça a rota
que os conduz à criança.

São eternos andarilhos,
estes magos viajantes
que o céu pôs em movimento
na rota dos caminhantes.

São magos porque a magia
nunca os leva ao engano
e a estrela dá o sinal
já perto do fim do ano.

Ó estrelinha de Belém
que és grande e pequenina,
guia os reis vindos de longe
pelos céus da Palestina.

Ó estrelinha que anuncias
a chegada do menino,
vem dizer a este mundo:
"Por favor, vê se tens tino!"

José Jorge Letria. In, "O Livro do Natal ". Ilustração de Afonso Cruz.

18/12/2024

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno

José Tolentino de Mendonça. Ilustrações de Lyudmila Tafiiychuk

A MOLEIRINHA  (Do livro de leitura da 4ª classe de 1951)Pela estrada plana, toc, toc, toc,Guia o jumentinho uma velhinha...
18/12/2024

A MOLEIRINHA (Do livro de leitura da 4ª classe de 1951)

Pela estrada plana, toc, toc, toc,
Guia o jumentinho uma velhinha errante
Como vão ligeiros, ambos a reboque,
Antes que anoiteça, toc, toc, toc
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!...
Toc, toc, a velha vai para o moinho,
Tem oitenta anos, bem bonito rol!...
E contudo alegre como um passarinho,
Toc, toc, e fresca como o branco linho,
De manhã nas relvas a corar ao sol.
Vai sem cabeçada, em liberdade franca,
O jerico ruço duma linda cor;
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
Tange-o, toc, toc, moleirinha branca
Com o galho verde duma giesta em flor.
Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!...
Toc, toc, toc, lindo burriquito,
Para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a virgem pura foi para o Egipto,
Com certeza ia num burrico assim.
Toc, toc, é tarde, moleirinha santa!
Nascem as estrelas, vivas, em cardume...
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
Logo a moleirinha, toc, se levanta,
Pra vestir os netos, pra acender o lume...
Toc, toc, toc, como se espaneja,
Lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja,
Dá-me até vontade de o levar à igreja,
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã!
Toc, toc, toc, e a moleirinha antiga,
Toda, toda branca, vai numa frescata...
Foi enfarinhada, sorridente amiga,
Pela mó da azenha com farinha triga,
Pelos anjos loiros com luar de prata!
Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer d'outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança,
Que era assim tal qual a jumentinha mansa
Que adorou nas palhas o menino Deus...
Toc, toc, é noite... ouvem-se ao longe os sinos,
Moleirinha branca, branca de luar!...
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar...
Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
Entre os milhões d'astros o luar sem véu,
O burrico pensa: Quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas d'oiro
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!
Guerra Junqueiro (1850 - 1923)

18/12/2024

20 Livros de BD Portuguesa para oferecer no Natal 2024!

Miguel Torga,NATAL Soa a palavra nos sinos,E que tropel nos sentidos,Que vendaval de emoções!Natal de quantos meninosEm ...
18/12/2024

Miguel Torga,
NATAL

Soa a palavra nos sinos,
E que tropel nos sentidos,
Que vendaval de emoções!
Natal de quantos meninos
Em nudez foram paridos
Num presépio de ilusões.

Natal da fraternidade
Solenemente jurada
Num contraponto em surdina.
A imagem da humanidade
Terrenamente nevada
Dum halo de luz divina.

Natal do que prometeu,
Só bonito na lembrança.
Natal que aos poucos morreu
No coração da criança,
Porque a vida aconteceu
Sem nenhuma semelhança.

"Diário XII

27/04/2024

Happy Independent Bookstore Day! I'll be visiting Watermark Books today to read and sign POETRY COMICS. Go out and support your local bookshop.

Hoje é o Dia Mundial do Livro...porque todos nós somos feitos de historias...Diz-nos um livro que te marcou na tua vida....
23/04/2024

Hoje é o Dia Mundial do Livro...
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