25/07/2026
Nos Açores, nasceu alguém que nos mostrou que se podia mudar o mundo com uma guitarra. O Nuno Bettencourt nasceu na Praia da Vitória. Aos quatro anos, foi despejado da infância insular para o Massachusetts. Ganhou tempo a faltar às aulas, ganhou calos nos dedos, ganhou a liberdade de não querer saber de diplomas. Pôs-se a rasgar solos como quem reinventa à pancada o destino.
No seu próprio país, continua a ser uma nota de rodapé.
O português que toca com Rihanna; o açoriano que aparece no Superbowl. É uma nota de rodapé escrita por quem nunca segurou uma guitarra, por quem nunca sentiu o mundo colapsar dentro de um riff.
A música é um país onde nunca se chega a casa.
O Nuno é o geógrafo desse desconforto. Quando o oiço tocar, encontro um som que vem da lava dos Açores, que arde sem pedir desculpa: é raiva, é amor, é orgulho, é coragem.
A guitarra diz o que a boca já não aguenta dizer.
Deve custar muito rasgar a pele para se ouvir, deve custar muito ser gigante lá fora e esquecido cá dentro. É um exílio na própria pátria: o fado dos que fazem bem demais.
Nuno Bettencourt é o melhor guitarrista português de sempre.
Deve ser por isso que muitos não o querem ter por perto. Preferimos os medíocres: confortam-nos.
Os geniais só nos mostram aquilo que nunca seremos.