20/07/2018
Está no ar, nas plataformas digitais, o álbum "Avôhai 40 Anos (Remake Pop Rock)", idealizado e dirigido por Zé Ramalho para celebrar os 40 anos do lançamento de seu primeiro álbum solo. Na próxima semana também em CD.
Confira as gravações e os talentos envolvidos!
Spotify:
https://open.spotify.com/album/2pULDBm05npI6HTxmYHZZR?si=KDmY7VfeRByAA6WqWR4-Lg
Apple:
https://itunes.apple.com/br/album/av%C3%B4hai-40-anos-remake-pop-rock/1413354075
Deezer:
http://www.deezer.com/album/68094752
Abaixo, o release do projeto:
Quando vocês ouvirem esse disco entre amigos e alguém comentar que 40 anos passam voando, podem acreditar que isso não é verdade. Em quatro décadas o mundo dá cambalhotas e a produção musical se reinventa várias vezes. O que não passa nunca é o prazer de escutar um grande disco. O que invade nosso coração com os aromas da eternidade é uma obra de arte em forma de música popular, obra essa que um dia tatuou nossas emoções e abalou nossos conceitos e preconceitos. É exatamente esse o caso do álbum icônico “Zé Ramalho”, de 1978, que também ficou conhecido como “o disco de Avohai”.
Pois, agora, as legendárias canções voltam vestidas com a roupa rock-rascante do mago Robertinho de Recife, nas vozes e instrumentos de bandas contemporâneas. As novas versões são brilhantes e fazem ressurgir um Avohai sempre surpreendente, um Chão de Giz integralmente atual e mostra que a Vila do Sossego continua sendo um quadro impressionista que não desbota com o tempo. Voa Voa ganha novos ares na bela voz de Linda Ramalho, filha do mestre.
Aquilo que nunca envelheceu ficou novo de novo.
A sequência de faixas apresentadas na releitura dos clássicos, ativa a máquina do tempo e torna inevitável a recordação de uma outra audição, numa época de grandes transformações e turbulências na música brasileira:
Eu estava na redação da Última Hora naquele 1978, na Rua Equador, escrevendo minha coluna quase diária naquele saudoso jornal carioca, quando o telefone tocou. Não me lembro se era o produtor Carlos Alberto Sion, Jairo Pires ou algum diretor da antiga CBS, me convidando para ouvir uma grande novidade que chegara da Paraíba para desafiar o status da MPB daquela época, com um disco surpreendente. O convite incluía também a possibilidade, se eu aceitasse, de escrever o primeiro press release daquele personagem chamado Zé Ramalho.
Topei. Entreguei a coluna ao editor do segundo caderno (UH Revista), mastiguei um pão na chapa numa birosca da Rodoviária Novo Rio e peguei um taxi direto para a Praça da República. No caminho, minha maior curiosidade era saber o que uma celebridade como o tecladista suíço Patrick Moraz, que entre 1974 e 1976 havia substituído Rick Wakeman no Yes, estava fazendo com seus solos e acordes no disco de um estreante nordestino.
A resposta veio logo na primeira faixa. Apesar do lindo trabalho de Moraz, o suíço era um simples coadjuvante naquela enxurrada de som que jorrou das caixas do velho estúdio. Todos nós que estávamos ali, um pouco desorientados pela surpresa, conseguíamos visualizar um patriarca de botas e barbas longas cruzando solenemente a soleira e deixando marcas profundas na infância do poeta. A linda voz do cantador e seu talento de contar histórias, sempre desconstruindo o tédio da linearidade, criavam imagens nas nossas mentes que nenhum vídeo clipe seria capaz de explicitar.
Foi no lançamento desse disco de 78, que surgiu uma carreira que hoje e sempre vai arrastar para as plateias de teatros e ginásios, multidões nas quais despontarão milhares de carinhas de meninos e meninas, que ainda não tinham nascido nem sido planejados por seus pais, quando Zé empunhou o violão para compor seus primeiros clássicos. Um público tão jovem quanto os componentes das bandas que agora fizeram a releitura.
Nosso cantador nunca se deixou seduzir pelo jet set da MPB. Preferiu a verdade dos palcos e os caminhos da criação permanente para lapidar suas joias musicais. O público que lota seus concertos sabe disso perfeitamente.
Esse fantástico disco desperta o espírito do rock que, desde o início, já era efervescente dentro da obra autoral de um nordestino que não reconhece fronteiras. É um grito de comemoração do nosso bom e indivisível Zé Ramalho.
Aloysio Reis
Repertório:
01. Avôhai – Eminência Parda
02. Vila do Sossego – Paul Rock
03. Chão de Giz – Via Rock
04. A Noite Preta (versão 1) – João Ramalho
05. A Dança das Borboletas (versão 1) – Sent U Feeling
06. Bicho de 7 Cabeças – Robertinho de Recife
07. Adeus Segunda-Feira Cinzenta – Prima Facie
08. Meninas de Albarã – Mazzeron
09. Voa Voa – Linda
bônus:
10. A Noite Preta (versão 2) – OgroJazzBend
11. A Dança das Borboletas (versão 2) – Novanguarda
12. Voa Voa – Luiz Lopez