10/08/2020
🚨ATENÇÃO PAIS: 🚨
SÍNDROME RARA ACOMETE CRIANÇAS COM COVID-19.
No último 2 de julho, uma quinta-feira, Alice, de 3 anos, acordou cheia de manchas pelo corpo e com febre. Os pais, preocupados, ligaram imediatamente para a pediatra que, pelos sintomas descritos, excluiu a possibilidade de ser covid-19. "Nem me passou pela cabeça que pudesse ser o novo coronavírus por conta de todos os cuidados que estávamos tomando", "Realmente, seguimos a quarentena." diz a mãe da menina, que preferiu não se identificar. "E a própria médica também não achou que fosse. Mesmo assim, resolveu pedir um exame PCR, que deu negativo."
De fato, nenhum dos dois apresentou sintoma da doença. Por isso mesmo, eles não se surpreenderam quando o PCR da filha deu negativo. Mas o estado de saúde da menina começou a se agravar, sem que ninguém conseguisse chegar a um diagnóstico. Também surgiram outros sintomas incomuns, como olhos vermelhos, barriga inchada, pés e mãos descamando e febre intermitente.
No sétimo dia consecutivo de febre, um exame de sangue revelou uma inflamação generalizada e Alice foi internada na UTI pediátrica de um hospital particular da zona oeste do Rio. Ela tinha uma síndrome inflamatória rara ligada à infecção pelo novo coronavírus.
A síndrome inflamatória multissistêmica (SIM-P) ocorre em crianças de 7 meses a 16 anos. Trata-se de uma reação inflamatória grave que só acomete crianças e está associada a uma resposta tardia ao Sars-CoV-2.
Os especialistas não sabem por que a síndrome só ocorre em crianças, nem por que acomete algumas e poupa outras.
"Ela costuma aparecer de três a quatro semanas após o pico do coronavírus", disse a chefe da UTI Pediátrica do Hospital Pedro Ernesto, Raquel Zeitel. "Trata-se de uma resposta imunológica exacerbada, com febre persistente, sintomas abdominais, diarreia, vômito, lesões cutâneas, conjuntivite. E pode evoluir para quadro semelhante a um choque, com aumento dos marcadores inflamatórios, anomalias coronarianas e disfunções cardíacas.
Alice ficou quatro dias internada."Como não sabíamos o estágio da evolução da doença e havia preocupação com a parte cardíaca, achamos melhor interná-la", contou a mãe da menina. "Por 24 horas ininterruptas, ela recebeu infusão de imunoglobulina (anticorpos que agem neutralizando o patógeno). E teve os sinais vitais monitorados a cada 15 minutos." Alice chegou a ter febre de 40 graus, mas, depois, a inflamação cedeu, sem comprometer o coração.