25/04/2024
Um flerte com o imponderamento das trevas
Há 50 anos Lisboa amanhecia no dia 25 de abril coberta de vermelho. Camisas vermelhas, cravos vermelhos. O Exército e o povo faziam um desfile alegre de Liberdade, cantando “Grândola, Vila Morena”:
“O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade!
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena!”
Mas não eram os comunistas que chegavam ao poder. Eram jovens militares com um novo pensamento político e social. Instigados pela insatisfação popular com a repressão e os desmandos de quase 5 décadas de ditadura.
Tropas e tanques desfilavam nas ruas seguidos pela multidão. Como sintetiza Ruy Castro, único jornalista brasileiro em Lisboa “por acaso” naquele momento histórico e assistiu ao desfile incontível daquela quinta-feira de abril de 1974:
“Cravos vermelhos tomaram a lapela dos casacos e a boca dos canhões (...), Não é possível conter um povo que passou 48 anos sem vida, sem alegria”.
Pensada e planejada no melhor ‘escritório’ das conspirações, uma mesa de bar, e deflagrada na surdina daquela madrugada, a Revolução dos Cravos derrubou sem derramamento de sangue 41 anos da ditadura salazarista.
António de Oliveira Salazar, durante 37 anos (1933-1970) do Estado Novo jogou Portugal no fundo do poço das agruras sociais e econômicas com seu regime de força e crueldade, que persistia, mesmo após 4 anos da morte do ditador.
Hoje, por lá, ainda se comemora o feriado nacional em homenagem a uma data de Libertação! Mas em Portugal, e no mundo todo, o momento é sombrio, ante o avanço da direita e ultradireita conservadora e negacionista.
O negacionismo é individualista, imponderado, ditatorial em todos os sentidos, por isso mesmo contrário às instituições dos direitos e liberdades coletivas. Os grupos que seguem esse caminho flertam com o desatino das trevas...