16/08/2026
Obaluaê e a chuva de pipocas
Conta um antigo itan que, ao retornar de uma longa viagem, Obaluaê encontrou uma grande festa onde todos os orixás celebravam juntos.
Coberto por suas vestes de palha, escondia as marcas que carregava no corpo e, envergonhado de sua própria aparência, permaneceu do lado de fora, apenas observando a alegria dos festejos.
Ao perceber sua tristeza, Ogum aproximou-se e lhe ofereceu uma roupa de palha que escondia completamente seu corpo, convidando-o a participar da festa.
Mesmo assim, Obaluaê entrou tímido. Enquanto todos dançavam, ninguém se aproximava dele.
Mas havia alguém que enxergava além das palhas.
Iansã observava tudo em silêncio.
No momento em que Obaluaê já estava no centro da roda, Iansã aproximou-se e, com a força dos seus ventos, levantou delicadamente as palhas que cobriam seu corpo.
Então aconteceu o encantamento.
As feridas que marcavam sua pele transformaram-se em uma linda chuva de pipocas brancas, espalhando-se pelo barracão.
Diante de todos, revelou-se um jovem belo e radiante.
Naquele instante, Obaluaê deixou de ser lembrado por suas feridas e passou a ser reconhecido por sua verdadeira essência.
Desde então, a pipoca tornou-se um dos maiores símbolos de Obaluaê: sinal de cura, transformação e renascimento.
Porque a verdadeira beleza nunca esteve naquilo que os olhos enxergam... mas na força de quem transforma a própria dor em luz.