08/03/2017
Ser mulher é f**a.
Não temos liberdade sexual, liberdade de expressão, nem liberdade de ir e vir. Andamos com medo. Medo de ser julgada. Medo de ser estuprada. Medo de morrer. Morrer por ser mulher. Morremos porque somos mulheres.
“Mas calma, isso aí é crime passional.”
Não, isso é FEMINICÍDIO. Isso é crime de ódio contra mulheres. Romantizam até nosso sofrimento. Somos culpabilizadas enquanto vítimas. Nos fazem acreditar que não merecemos ser amadas. Mas apanhar, sim. Caladas. Ai se reclamar, ein? É mimimi. Somos feminazis. Nos comparam à nazistas, enquanto viramos estatística. Sofremos violência física e psicológica. Em casa, no trabalho, na rua, nos hospitais. Sofremos violência parindo. Questionam nosso passado, com quem andamos, com quem transamos, até como transamos. Mas o passado do agressor nunca é questionado. Pelo contrário. Era trabalhador, tranquilo, um cara do bem.
“Essa história está mal contada, ele nunca foi de bater em mulher”.
Nós é que somos de apanhar. Há quem diga que mulher gosta de apanhar. Virou até ditado popular: Em briga de marido e mulher não se mete a colher. Deixa ela apanhar em casa. Ignore os gritos. Deixa ela morrer sozinha. Morremos sozinhas enquanto mulheres.
Mas hoje não. Nem amanhã e nem depois.
Cansamos de sofrer caladas. Homem nenhum vai me fazer desconfiar, nem por um minuto, da minha capacidade, da minha força e da minha luta. Ser mulher é, antes de tudo, resistir. Hoje não é dia de flores, chocolates e nem de jantares especiais. Hoje é dia de resistência. Eu resisto por mim e pelas minhas irmãs de luta.
Ser mulher não é fácil.