08/03/2021
Porquê o 8 de março, dia internacional das mulheres falamos de uma comemoração e não de uma celebração?
8 de março de 1908, 129 obreiras de uma fábrica têxtil foram queimadas vivas na fábrica de Cotton (Nova Iorque) num incêndio provocado pelo seu próprio patrão. Elas reclamavam jornadas laborais de 8 horas, não trabalhar os Domingos e equidade nos salários em ta violência contra as mulheres, os feminicidios são sua máxima expressão. É a expressão do profundo ódio que a sociedade têm por todas nós. Esse ódio e desprezo se manifesta tambem de outras maneiras também muito eficazes. Eficazes no sentido de que nos fazem muito mal e nos levam a uma autoflagelação, que tira nossa possibilidade o poder de desejar, a potência vital da culpa, a vergonha e o medo.
São gestos e palavras, abusos de poder, que a gente vive todos os dias em nossos trabalhos, na rua, nas salas de aula, nos hospitais, nos consultórios médicos, na justiça, em nossas famílias e vínculos. Tudo isso naturalizado. Total normalidade respeito de esse desprezo e esse ódio que a gente aguenta. Dessa violência diária, de esse ódio e desprezo que é inoculado em doses regulares ninguém fala, ninguém se responsabiliza, é difícil para nós que tudo isso seja visível porque quando nós falamos ninguém quer ouvir. Porquê? Porque quem perpétua essa violência são milhões de pessoas que seguram esse sistema e ordem social. É a sociedade que se apena com os feminicidios e ao mesmo tempo despreza a todas as mulheres que estão vivas.
Quando uma de nós se revela sozinha ou individualmente frente a essas violências, quando reclama no seu trabalho, denuncia na justiça ou faz qualquer tipo de denuncia de uma maneira individual, o sistema tem uma tendência a rê vitimar-la, disciplinar-la ou excluí-la, ou no melhor dos casos "nada aconteceu" e se vê obrigada a continuar sofrendo as violências que ela sofreu. O reclamo individual parece uma trampa do sistema, aí ele nos esmaga e volta a ganhar o patriarcado. Nós acreditamos e sempre convocamos a uma ação coletiva organizada. Acionar com as outras, denunciar com as outras, reclamar com as outras. Nunca sozinhas, porque assim nos querem, sozinhas, aisladas, desempoderedas.