27/08/2021
Concreto, pilares e espaços amplos em meio à mata. Essas são as características da Casa Butantã, projeto arquitetônico de Paulo Mendes da Rocha, onde viveu com sua família entre os anos 70 e 90.
Construída entre 1964 e 1967, o projeto é formado por duas casas gêmeas grudadas, aparecendo como uma grande caixa de concreto em um espaço de 760m². Localizada na cidade de São Paulo, internamente é constituído por seis superfícies onde formam um só espaço, com um piso único em madeira e uma cobertura plana perfurada por claraboias de vidro transparente.
Na década de 60 o Brasil via na expansão urbana o reflexo do seu processo de industrialização, estava então em discussão o modelo de desenvolvimento a ser seguido pelo país e dentro da arquitetura se debatia o uso de pré-moldados. Paulo Mendes da Rocha deixa claro que a casa foi pensada como “um ensaio de peças pré-fabricadas”, testando soluções que fossem capazes de resolver construções com baixa renda e investimento financeiro.
O contraste entre o vidro e o concreto nas fachadas ressaltam a beleza que há na linha tênue entre a brutalidade e a leveza.
As Casas do Butantã se tornaram verdadeiros ícones da arquitetura brasileira, obras Paulo Mendes da Rocha que expressaram com clareza a sensibilidade do artista com relação aos problemas sociais enfrentados pelo país, ao mesmo tempo sua preocupação com a adequação da arquitetura brasileira ao novo quadro de industrialização no qual o Brasil se encontrava.
Fotos: Nelson Kon e Autor Desconhecido