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ESCUTOU AGORA, IVO ?!!!!Mudei-me para Mato Grosso no final da década de 1980; Trouxe de bagagem a mulher, a mala e um ve...
19/06/2026

ESCUTOU AGORA, IVO ?!!!!

Mudei-me para Mato Grosso no final da década de 1980; Trouxe de bagagem a mulher, a mala e um ventilador. Três anos depois meus pais mudaram-se também.
Motivados por minha mãe, apaixonada pelo cultivo de hortaliças, traziam na mala sementes e mudas de diversas plantas que pretendiam vê-las produzir no Mato Grosso. Sementes de quiabo, abóbora, mudas de bananeiras e entre elas algumas mudas de cebolinha.
Com uma mala velha, a única que possuíam, esgarçada, com barbante de estopa amarrada partiram de Loanda, noroeste do Paraná em ônibus da Viação Umuarama, hoje extinta, que fazia a linha Paranavaí (PR) até Naviraí (MS); Eram dois modelos, o OCP (ônibus caindo pedaços) nos dias de semana, e aos finais de semana e feriados havia um modelo mais moderno, o VMV (veículo muito velho), cujas passagens eram então mais caras. Não me recordo em que modelo eles viajaram, mas o fato é que acomodaram a mala no porta volumes que f**a acima do assento dos passageiros, que mal acomodou-se, pois devido a largura e ao estufamento proporcionado pelo conteúdo, boa parte dela ficou de fora do compartimento.
Após atravessarem o Rio Paraná, de balsa, embrenharam-se por uma estrada cabriteira, ou boiadeira, sei lá... repleta de sacolejos, solavancos e “esfria-saco”. Com a trepidação provocada pelo estado da rodovia a mala deslizava para fora do compartimento ameaçando cair. Minha mãe recostada na janela dizia ao meu pai, sentado ao lado na poltrona do corredor: “__Ivo, essa mala vai cair...”. E meu pai calmamente levantava a mão direita e com leve toque empurrava a mala, ou o que cabia dela, de volta ao compartimento. Essa cena repetiu-se por diversas vezes. Do nada, minha mãe olhava pra cima, via a situação da mala e dizia ao meu pai: “__ Ivo, essa mala vai cair...” E meu pai repetia o gesto colocando-a no lugar.
A certa altura da viagem, meu pai, já cansado pelos alertas de minha mãe, após uma nova advertida retrucou com um respostão: “__ Quando cair eu escuto!!”. Minha mãe calou-se e não mais deu alerta.
Em uma destas curvas da estrada em que a força da física, chamada inércia, que se caracteriza pela teimosia de um corpo físico em movimento no espaço, insistir em manter sua trajetória, quando cessada a força de movimento que o conduz ou quando sua direção é alterada bruscamente, meu pai quase cochilando, e sem os alertas continuados de minha mãe, esqueceu-se da mala, e esta desencaixando-se do compartimento estatelou-se ao chão, rompendo a amarra e esparramando seu conteúdo ao longo de todo o corredor indo da traseira do ônibus, aos pés do motorista.
Foram quiabos secos, sementes de abóboras, olho de bananeira e entre elas claro as mudas de cebolinha, por toda parte, inclusive por sob os pés dos demais passageiros que assistiam atônitos a cena sem saber se riam ou se xingavam.
Eis então, que minha mãe muda o tom do alerta e diz quase aos berros ao meu pai: “__Escutou agora, Ivo !!!???”. E meu pai sem responder, engoliu em seco, arrebitou as ancas e saiu catando, tentando recuperar o conteúdo da mala, que uma vez refeita foi acomodada sob o assento da poltrona e seguiu até Cuiabá.
As mudas, ou o que restaram delas, produziram em Cuiabá, e nos enchiam de orgulho quando as utilizávamos. Minhas irmãs diziam: “__Gostou da cebolinha? Foi minha mãe que trouxe do Paraná.”
Ainda bem que nas viagens que sucederam eles não tenham decidido trazer ovos.
(Carlos Corso, Cuiabá, Abril 2022)

DAÍ-LHES O PÃO AO INVÉS DE ENSINAR-LHES A PESCARSegundo o evangelho, certa vez Jesus pregava diante de uma multidão, qua...
18/06/2026

DAÍ-LHES O PÃO AO INVÉS DE ENSINAR-LHES A PESCAR

Segundo o evangelho, certa vez Jesus pregava diante de uma multidão, quando foi alertado pelos apóstolos de que eles estavam famintos. “ _ Senhor, esta gente tem fome, daí-lhes de comer.” Disse-lhe um dos apóstolos. Então, a partir de cinco pães e dois peixes, Jesus, multiplicou o alimento, pelo qual saciaram-se todos e ainda sobrou vários cestos repletos.

Em outra passagem, o evangelho nos diz “porque tive fome, e me destes de comer; tive sede e me destes de beber...”. Então perguntaram os apóstolos: “_ Senhor, quando te vimos com fome e lhe demos de comer?” e Jesus respondeu: “ __ Em verdade vos afirmo que, sempre que assim o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”

O fato é que até Jesus, preocupou-se com o alimento da carne, porque sem ele, o ser humano morre e sua alma esvai-se. E, se uma alma morta valesse mais do que a vida terrena, porque haveria ela de vir para cá?

Pessoas com fome, precisam de comida. Porque se morrerem de fome não haverá tempo, nem condições de em vida, salvarem sua alma.

E nada daquele papinho de que basta ensinar a pescar. Jesus ao saber da fome da multidão não multiplicou varas de pescar. A solução não foi resolvida por meio de instrumentos nem por incremento de metodologia de pesca.
Pense nisso, e bom apetite.

(Baseado no artigo de Coltri Junior - A Gazeta 18/06/2026)

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