17/09/2025
A Umbanda é uma religião brasileira nascida do encontro de diferentes culturas, crenças e espiritualidades. Ela carrega em seu coração o sincretismo entre o catolicismo popular, o espiritismo kardecista, as religiões afro-brasileiras e as tradições indígenas. Sua origem é um reflexo da riqueza espiritual e da diversidade cultural do povo brasileiro.
O marco mais conhecido da fundação da Umbanda data de 15 de novembro de 1908, quando o médium Zélio Fernandino de Moraes, então com apenas 17 anos, manifestou em uma sessão espírita a entidade conhecida como Caboclo das Sete Encruzilhadas. Na ocasião, Zélio contrariou os padrões da doutrina kardecista da época ao incorporar um espírito que se apresentava como um caboclo — figura associada aos povos indígenas e, portanto, marginalizada nos círculos espíritas elitizados do início do século XX.
Foi através do Caboclo das Sete Encruzilhadas que se anunciou o nascimento de uma nova religião: "uma religião que conciliaria a caridade com a evolução espiritual, e que acolheria todos, sem distinção."
A partir desse momento, nascia a Umbanda como prática religiosa organizada, com fundamentos próprios e um firme compromisso com o trabalho espiritual em favor do próximo.
A Umbanda é única justamente por sua capacidade de acolher e integrar.
A Umbanda não tem um livro sagrado, mas sua sabedoria é transmitida de geração em geração, nos terreiros, nas giras e nos cantos. Cada terreiro tem sua própria tradição, seus próprios guias e fundamentos, sempre baseados no respeito, na caridade, na humildade e no amor ao próximo.
Ela é uma religião viva, em constante transformação, que se adapta ao seu tempo sem perder a conexão com as raízes espirituais que a sustentam.
Praticar a Umbanda é, também, um ato de resistência. É afirmar a importância das religiões afro-brasileiras em um país que ainda lida com o preconceito religioso e o racismo estrutural. É manter viva a memória dos que vieram antes de nós, que lutaram para que hoje possamos bater cabeça, acender nossas velas e chamar pelos nossos guias com orgulho e liberdade.
Saravá, Umbanda!