10/08/2025
Ser pai é um exercício diário de fé e nem sou religioso.
É atravessar um corredor sem luz, carregando algo frágil demais para soltar.
Você anda, tropeça, bate nas paredes e continua porque parar não é opção.
Não existe garantia.
Não há manual que assegure que ele vai lembrar mais dos meus acertos do que dos erros.
O que construo pode ser guardado com carinho ou descartado sem cerimônia.
E, ainda assim, só faço.
Aprendi a cultivar uma paciência que não existia.
A respirar fundo quando o instinto era gritar.
A engolir respostas prontas e esperar que a pergunta voltasse diferente.
Há manhãs em que sou farol.
À noite, só uma pedra no caminho.
Em menos de um sopro, passo de refúgio a obstáculo.
E aprendo que ser pai também habita nessas contradições.
Talvez seja isso que mantenha a história viva.
O amor? Não é o que imaginei.
É mais bruto. Mais persistente. Às vezes, mais silencioso.
Sim, eu já sei que não é lógica.
É um risco que aceito todos os dias, sabendo que a única coisa que posso controlar é continuar tentando.
A paternidade não me deu certezas.
Me deu perguntas novas, espelhos novos.
E talvez o ponto seja esse: continuar andando no escuro.
Não para chegar a um lugar seguro, mas porque ele está lá na frente.
E eu quero estar por perto quando se olhar pra trás.
Feliz Dia dos Pais! 🫀