09/03/2019
Quero dizer que minha formação intelectual, se é que é alguma coisa, foi lendo estes caras e lendo o Pasquim. Fazia coleção das revistas, comprava, lia e depois iam dormir entre meu colchão e o estrado de minha cama, junto com outras do PQP.
Até que um dia, cheguei em casa e senti um cheiro de quarto perfumado e minha mãe dizendo:
-fiz uma limpeza no teu quarto...aqueles jornais velhos que estavam de baixo do colchão, joguei no lixo!
-NÃÃÃOOOO!
Corri pra rua e vi o caminhão do lixo ainda dobrando a esquina, fique entre correr atrás, me deitar no asfalto para parar o bruto de qualquer maneira e fazer os caras abrirem o baú fetido atrás de meu tesouro; sentar no chão em frente de casa e chorar ou tocar fogo na residência.
Desde aquele dia me tornei outra pessoa, passei a me vestir de preto, não participava mais das reuniões familiares, comecei a ter um comportamento conspiratório, passei a ler literatura pesada tipo Bukovyski, Jack Kerouac e John Clellon Holmes, andava com uma turma pesada, aí veio a fase das viagens, tia Anita, beco do rato e outros lugares muito suspeitos. Perdi o controle e acabei no NA, só a terapia de grupo não adiantava e mergulhei na busca pelo espiritual. Primeiro foi uns terreiros para os lado da Cremação, em seguida fui levado a uma "igreja" quadrangular, me pediram o décimo e como tava desempregado, desisti, depois uns centros espíritas, em seguida o budismo de Nitihen Daishonin e mais cinco anos de NA-MYO-RENGUE-KYO, e vi que não desenvolvia, abandonei estas práticas e percebi que sendo ateu era mais jogo.
Hoje me sinto bem melhor... em paz, amputado, diabético, renal crônica, hipertenso e cardíaco, é certo, mas bem melhor, graças a deu...ops, graças a Lennin.