09/01/2023
Porquê o silêncio e a cultura do medo não formam bons alunos…
Desde muito cedo meu pai sempre disse que eu devia ter uma opinião. Uma opinião reflexiva e crítica. Ele nunca aceitou que eu fosse a uma reunião e dissesse “faço das palavras do colega as minhas”. Para meu pai isso não era normal. Então, desde cedo na qualidade de representante do encarregado de educação dos meus irmãos, eu devia dizer ao meu pai o que eu disse na reunião que participei.
Infelizmente, muitos pais e mães são os primeiros criar uma cultura de medo nos seus filhos, bem como limitar/condicionar o direito e as liberdades de expressão dos mesmos.
É tempo dos pais e mães saberem que o filho que mandam habitualmente a calar a boca e se remeter ao silêncio em casa, dificilmente na escola abrirá a boca. Será mais um “o colega já disse tudo. Logo não quero ser repetitivo”.
É importante dar a criança o direito de falar, de expressar suas opiniões e pensamentos. Pior do que isso só mesmo aqueles pais que dizem aos filhos “você não sabe pensar” ou ainda “esse assunto não é do seu nível”.
As crianças precisam experimentar todos os dias a relação “pensamento-linguagem”. Aprender a melhorar os seus argumentos nas discussões e sobretudo entender que todas as ideias são válidas. Sendo inválidas aquelas que não são expressas. Aprender igualmente a respeitar o lugar de fala do outro e discutir ideias sem ofender nem discriminar.
E na escola, os professores deverão potenciar o diálogo, criar atividades de aprendizagem em que os alunos expressam livremente e sem preconceitos as suas opiniões, esgrimindo todos seus argumentos. A Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino no seu artigo 4 que se refere aos fins da educação em Angola, estabelece claramente o desejo de desenvolvimento moral, ético, estético, cognitivo, sensorial e etc., preparando a pessoa angolana para compreender os problemas nacionais, regionais e internacionais para que de forma crítica e democrática participe da sua discussão e/ou solução.
Então, os professores não podem passar a maior parte da aula gritando “silêncio, silêncio,” mas estimulando e potenciando sempre a participação ativa dos alunos. Tão pouco rotulando alunos como burros por um erro ou fraqueza de argumentação.
Educação é uma prática das liberdades.
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📷 Jamba Cauende