12/06/2026
Minha história — fé, dor, amor e milagres 💚
Meu nome é Joyce, mas todos me conhecem como Joy. Tenho 38 anos, sou esposa, mãe de dois filhos, transplantada renal e alguém que aprendeu, através das maiores provações da vida, o verdadeiro significado de fé, resistência e amor incondicional.
Criei esta página para compartilhar minha história e conscientizar sobre a doação renal pareada. Mas também para deixar um testemunho de vida, para que outras pessoas saibam que mesmo nas situações mais difíceis ainda existe esperança.
Minha história com o Rodrigo começou muito cedo. Nós nos conhecemos em 12 de novembro de 2001, quando eu tinha apenas 14 anos. Desde o primeiro momento, a vida começou a nos unir de forma natural. Crescemos juntos, vivemos fases diferentes da vida lado a lado e construímos uma relação baseada em companheirismo, respeito, amizade e amor verdadeiro. Ele se tornou meu marido, meu parceiro de vida e meu porto seguro em todas as situações.
Nosso primeiro filho foi o Felipe, nascido em 16 de abril de 2007.
Ser mãe já transforma uma mulher, mas ser mãe do Felipe me transformou profundamente.
O Felipe está dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele já teve diagnóstico anteriormente associado ao que era chamado de síndrome de Asperger, mas hoje entendemos como parte do espectro autista.
Ser mãe dele me ensinou a enxergar o mundo de outra forma. Aprendi a valorizar pequenas conquistas, coisas que para muitos podem parecer simples, mas para nós têm um valor enorme. Aprendi sobre paciência, amor incondicional, empatia e sobre olhar a vida com mais sensibilidade. O Felipe me fez uma mãe mais forte, mais humana e mais consciente do verdadeiro significado do amor.
Anos depois, nasceu nossa filha Nicole, em 03 de fevereiro de 2015.
A chegada dela foi um presente de Deus, mas também veio acompanhada de uma grande batalha.
Durante a gestação da Nicole, desenvolvi pré-eclâmpsia grave, com aumento perigoso da pressão arterial, colocando minha vida e a vida da minha filha em risco. A situação evoluiu para um quadro muito delicado e foi necessário antecipar o parto.
Nicole nasceu pequena e precisou lutar pela vida desde o primeiro instante.
Ela ficou 31 dias na UTI neonatal, em um período marcado por medo, incerteza e muita oração. Eu olhava para minha filha tão frágil e só conseguia pedir a Deus que a protegesse. E Ele protegeu.
Nicole venceu.
Mas aquele período deixou marcas profundas no meu corpo.
Após a gestação, permaneci hipertensa.
Em 2020, durante a pandemia, tive pancreatite aguda. Foi um momento extremamente difícil, em que meu corpo sofreu muito e começou a dar sinais de que algo mais sério estava acontecendo.
Sem acompanhamento adequado na época, a função dos meus rins foi sendo comprometida de forma silenciosa.
Em 2021, meu estado de saúde começou a piorar de forma intensa. Passei a ter vômitos frequentes, câimbras fortes, fraqueza extrema e sonolência constante. Meu corpo já não respondia como antes.
No dia 15 de outubro de 2021, fui ao hospital com dor de cabeça intensa e pressão muito alta. Fui medicada e liberada, mas voltei pouco tempo depois em estado mais grave, com sonolência extrema e anemia severa.
Foi nesse momento que minha vida mudou completamente.
Durante a internação, tudo aconteceu de forma muito rápida e crítica: tive convulsões, precisei ser intubada, recebi diagnóstico de falência renal, sofri um AVC isquêmico, tive papiledema, edema cerebral e ainda desenvolvi pneumonia bacteriana associada à intubação.
Minha família viveu dias de desespero.
Rodrigo precisou ser forte quando eu não conseguia ser.
Meus filhos enfrentaram o medo de quase me perder.
O meu quadro era extremamente grave.
Mas Deus tinha outro plano.
Eu sobrevivi.
Iniciei hemodiálise com cateter de Shiley e depois passei para a fístula. Durante 1 ano e 7 meses, vivi a rotina da hemodiálise.
A hemodiálise não é apenas um tratamento. Ela muda completamente a vida de uma pessoa. São horas conectada a uma máquina para continuar viva, enfrentando limitações físicas, emocionais e sociais todos os dias.
Mesmo assim, eu tentei continuar sendo mãe, esposa e mulher. Houve dias de dor intensa, medo e cansaço, mas em todos eles eu senti que Deus me sustentava.
E o Rodrigo nunca soltou a minha mão.
Foi então que surgiu a possibilidade da doação renal pareada.
Esse tipo de transplante acontece quando uma pessoa deseja doar um rim para alguém que ama, mas não é compatível. Nesse caso, ela pode doar para outra pessoa compatível, enquanto seu familiar recebe um rim de outro doador compatível. É uma corrente de vidas, um ciclo de amor que salva várias pessoas ao mesmo tempo.
O Rodrigo quis me doar um rim, mas não era compatível comigo.
Mesmo assim, ele não desistiu.
Entramos no programa de doação renal pareada.
Meu marido doou um rim para salvar outra vida.
E, por meio dessa corrente de amor, eu recebi um rim compatível.
No dia 05 de fevereiro de 2023, recebi meu transplante renal.
Esse foi o dia do meu renascimento.
Depois de tudo o que vivi, ganhei uma nova chance de viver.
Hoje, ao olhar para trás, vejo uma história de dor, mas também de milagres, amor e superação.
Sou profundamente grata por cada etapa da minha trajetória, porque tudo isso me moldou e me fortaleceu.
Criei esta página para conscientizar sobre a doação renal pareada e para dizer a cada pessoa que está lutando: ainda existe esperança.
Se a minha história tocar um coração e impedir alguém de desistir, ela já terá cumprido seu propósito.
“Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.”
— 1 Coríntios 13:7-8
Com amor,
Joy 💚