28/12/2022
Hoje senti-me angustiada e momentaneamente perdida, porque me dei conta que estava a ir contra algo que eu acredito e ensino (meus amores, tenho que vos pedir hoje uma coisa: eu sei que este texto é grande, mas é de autêntica utilidade pública ler até ao fim. Vão por mim).
Precisava de escolher uma coisa para a minha pequena, e que como era para ela usar, teria logicamente de ser, acima de tudo, ao gosto dela.
Das 5 opções disponíveis (3 escolhidas por ela, 2 sugeridas por mim), 1 ficou fora logo que foi experimentada, e depois pedi-lhe que selecionasse entre um par delas, e depois o outro, para no fim apenas restarem os que mais gostou dos dois pares, e aí ela decidiria.
Chegadas a esses dois últimos para decisão final (um dos que ela tinha gostado, e outro um dos que tinha sido eu a sugerir e que ela aprovou quando fez a seleção), ela escolheu a opção dela.
Mas a opção dela, embora giros, tinham dois inconvenientes práticos, e que eu como adulta, sabia que iriam condicionar o uso que ela precisava fazer daquilo.
Fiz “pressão” para que ela escolhesse a opção que eu achava mais aconselhável, mas ela efetivamente mostrou que queria a outra… E eu fiquei com o coração do tamanho de uma ervilha, ao perceber que estava a querer deliberadamente condicionar a escolha dela, em algo que era mesmo relevante ser uma escolha sua.
É verdade que hoje eu estava mais emocional por motivos que nada tinham que ver com aquilo. E também a acusar algum stress por motivos de trabalho. E isso ajudou a sentir-me mais fragilizada ao me aperceber deste dilema. (Mais alguém se reconhece no comum do dia a dia?)
Lá acabei por respirar fundo, e centrar-me em qual era a minha intenção- e isso fez toda a diferença, e como tal, possibilitou conseguir ficar mais tranquila.
Quais os aspetos em que pensei? Foram estes:
💠 Identifiquei claramente qual o motivo do meu incómodo: senti-me uma fraude ao estar a agir de uma forma que ia contra aquilo que defendia na parentalidade. Senti-me péssima por estar a “manipular” a escolha para que ela se decidisse pela minha;
💠 Identifiquei mais obstáculos que me estavam a agitar: eu estava pressionada para tratar daquele assunto essa tarde mesmo, e para ajudar à festa, tinha a funcionária a olhar para mim à espera (e que justiça seja feita, foi um absoluto amor com a minha pequena, fiquei-lhe grata do fundo do coração);
💠 Tomei consciência do que era ali a prioridade: o bem-estar e conforto na utilização prática- e viável diariamente
E tomar consciência disto tudo, desta forma, permitiu-me ser honesta e transparente com a minha pequena: disse-lhe que queria mesmo honrar a escolha dela, mas que via os inconvenientes x e y na escolha dela.
Aí, ela olhou para mim e pediu-me que fosse eu a escolher. Eu reforcei que a escolha correta era aquela, mas que não me sentia bem de a obrigar a ela, mas que de facto, sabia que a médio-longo prazo, seria aquilo que ia resultar para o que ela precisava. E perguntei o que ela achava.
E ela concordou com a minha escolha, porque a compreendeu. Teve metade de escolha inicial dela, e no desempate, teve a parte lógica ajudada por mim.
Podia não ter sido assim, ela podia ter ficado na mesma escolha que tinha tido inicialmente. E era isso que me estava a deixar ansiosa, enquanto ela me olhava para tomar a sua decisão.
Mas foi nesse momento, que após ter feito este raciocínio e me ter acolhido a mim mesma na ansiedade que senti, que tive a minha resposta: era verdade que há que honrar as escolhas deles, e respeitá-las como tal (da mesma forma que queremos ver as nossas respeitadas, e pelos mesmos motivos). Mas é igualmente verdade que há coisas que são da responsabilidade dos adultos, pois envolvem considerações que os mais pequenos ainda não têm capacidade de avaliar por si mesmos.
Aí, há que lhes mostrar isso mesmo, com um amor firme na opção escolhida. E sempre com abertura total. E sem sentimentos de culpa- pois não fazem qualquer sentido. Sempre que estes quiserem aparecer, ou indecisões te vierem dizer olá também, usa isto como bússula: a tua intenção, e a demostração do teu amor aos teus seres pequeninos.
Porque na Transparência aliada ao Amor, nunca ficam quaisquer equívocos.
❤