04/07/2025
Despedida da Vovó Astrô
(Em memória da minha avó paterna, por Thays, sua neta, 04/07/25, 04:16am)
Vovó Astrô nasceu no mês onze, em quarenta e cinco,
veio ao mundo a sua alma, com luz, trazendo seu brilho.
E partiu às onze e quarenta e cinco da noite,
fechando o ciclo, num tempo que se apaga, como a última luz do pernoite.
Foi como se o tempo deixasse escrito:
a história começa onde faz o infinito.
Onze e quarenta e cinco: de novo, a conexão!
Como se o universo marcasse sua missão.
Se foi tranquila, serena e resiliente,
do jeitinho que viveu: firme, doce e valente.
Partiu nos braços de uma de suas filhas queridas,
envolta no amor que guiou toda a sua vida…
…fechou os olhos em paz,
como quem sabe que o amor sempre f**a e jamais se desfaz.
Hoje o dia foi difícil, precisei a emoção segurar,
talvez por tantos lutos já ter tido que enfrentar,
aprendi, sem querer, meus sentimentos camuflar…
Mas agora, à noite, enfim em casa, o luto veio me abraçar.
Queria que todo o mundo a tivesse encontrado,
ou ao menos conhecido alguém com o mesmo brilho encantado.
Teve uma vida dura, mas nunca se rendeu,
com doçura e riso, o tempo venceu.
Carinhosa, gentil, vaidosa, engraçada,
sempre cheirosa, de alma delicada.
A voz era doce, macia, de abrigo,
falava mansinho, sorria comigo.
O sotaque do Norte era puro carinho,
como se em cada palavra brotasse um jeitinho.
E eu, sem dizer nada, só pra não atrapalhar,
f**ava ali quietinha, só pra escutar.
E quando eu conversava com ela, tão terna, era como descansar,
era bom demais pra querer levantar.
Aprendeu a ler já com a idade mais avançada,
e entrou pra universidade federal, firme, encantada!
Formou-se com orgulho, com brilho no olhar,
provar que é possível sempre foi seu lugar.
Amava a família, fazer graça e brincar,
e quando ríamos dela, ela ria sem parar.
Dizia rindo: “Ai, como sou bandiiieda”, cheia de diversão,
e a gente ria de novo, como na primeira ocasião.
Esse era o seu bordão, seu jeito de encantar,
sua marca registrada que nunca vai se apagar.
Ela amava viajar, descobrir lugares,
e sempre guardava histórias nos olhares.
Tirava fotos, capturava momentos,
pequenos pedaços de seus sentimentos.
Guardava coleções com amor no